Rodrigo Almeida Bastos
En este texto se parte del objetivo de analizar las intersecciones entre identidad profesional, ética vivida y salud emocional en la práctica de la enfermería. Para ello, se ha recurrido a autores relevantes en el campo de las ciencias sociales y humanas, con el fin de comprender cómo las condiciones institucionales, simbólicas y estructurales inciden en el sufrimiento moral y en la desestabilización del habitus profesional del personal de enfermería. A través de un proceso de reflexión crítica, se identifica que la disonancia entre los valores éticos del cuidado y las dinámicas organizativas marcadas por la tecnocracia y el productivismo genera desgaste emocional, debilitamiento identitario y pérdida de sentido del trabajo. Se concluye que una gestión sensible, la corresponsabilidad institucional y el reconocimiento simbólico son dimensiones esenciales para revalorizar el acto de cuidar como un proyecto ético, colectivo y socialmente relevante, especialmente en contextos sanitarios atravesados por complejidad y precariedad.
Neste editorial, proponho uma análise crítica das interseções entre identidade profissional, ética e saúde emocional no campo da enfermagem, compreendendo que tais dimensões se articulam na experiência concreta do cuidado e nos modos de pertencimento dos sujeitos à profissão. A corresponsabilidade institucional nas estratégias de proteção emocional e valorização simbólica dos trabalhadores da saúde se torna um eixo inegociável diante dos desafios que marcam os atuais contextos de atuação. A intensificação das demandas assistenciais, a escassez de recursos e a precarização das condições laborais — intensificadas e reveladas à sociedade com maior nitidez durante a pandemia de COVID-19 — escancaram uma dissonância persistente entre o discurso público de valorização da enfermagem e a materialidade exaustiva de seus processos de trabalho (Nicola et al., 2025).
Compreender essa tensão exige mais do que descrever o adoecimento. Implica reconhecer que o sofrimento moral, frequentemente relatado por profissionais em contextos adversos, não decorre de uma fragilidade individual, mas da ruptura entre os valores éticos que sustentam a prática e as condições reais que a limitam. Como demonstram Nicola et al. (2025), a sobrecarga, a carência de insumos e o suporte institucional deficitário geraram conflitos éticos profundos durante a pandemia, tensionando a imagem idealizada da enfermagem como profissão resiliente e abnegada. Essa expectativa histórica de disposição incondicional ao cuidado mostrou-se não apenas inviável, mas cruel, pois operou como mecanismo de silenciamento das fragilidades humanas e da perda de sentido sobre o próprio fazer.
A problemática se intensifica quando o sofrimento emocional é tratado como falha individual, desconsiderando as condições estruturais que o produzem. A enfermagem, atravessada por vínculos éticos e afetivos, demanda reconhecimento institucional de sua complexidade. Contudo, como observam Oliveira et al. (2025), a ausência de espaços de escuta e a invisibilização do sofrimento psíquico reforçam a naturalização do adoecimento como parte da profissão. Tal lógica desumaniza, enfraquece o pertencimento e compromete a identidade de quem sustenta o cuidado. Esse silenciamento opera como exclusão simbólica devastadora.
Sem o reconhecimento das dimensões emocionais do trabalho, advertem Vilela et al. (2021), a enfermagem corre o risco de se tornar reprodutora de sofrimento, onde o cuidado deixa de ser potência e se transforma em exaustão moral. Reverter esse cenário implica reconhecer o trabalho de cuidar como valor coletivo, criando, de forma corresponsável, ambientes que protejam e legitimem os sujeitos do cuidado