Sonia Herrera Justicia
Este editorial reflexiona sobre la cocina como espacio esencial de cuidado doméstico en un mundo donde la prisa y la urbanización amenazan con vaciar de sentido la vida cotidiana. Frente a la predicción de que en 2050 las casas ya no tendrán cocina, se defiende que este espacio no es un habitáculo más, sino el corazón del hogar, donde se tejen vínculos con el mundo y donde cuidar se convierte en un acto radical de resistencia y humanidad. La cocina contiene la sabiduría de nuestras raíces y la historia de las mujeres que, durante generaciones, han cuidado de las familias mientras alimentaban cuerpos y almas. Renunciar a ella es un síntoma de la transformación de nuestra forma de habitar, olvidando que la ciudad misma nació del trabajo de la tierra y que la casa es un lugar de acogida, no solo de lo humano, sino de toda forma de vida. La casa, al sostener la intimidad y el cuidado, nos conecta con lo que somos, y su hospitalidad requiere ser defendida frente a la mercantilización del tiempo y la pérdida de vínculos comunitarios. Frente al avance de un planeta convertido en ciudad, la casa debe convertirse en un espacio de cuidado expandido, recordándonos que la tierra no nos pertenece, sino que vivimos en ella y por ella. Recuperar la cocina como espacio de encuentro, de saberes compartidos y de cuidado cotidiano es clave para resistir a la homogeneización social y al sinsentido contemporáneo, permitiéndonos regresar a los rituales y valores que sostienen la vida. Así, las casas del mañana podrán seguir siendo espacios donde la felicidad cotidiana se construya a través del cuidado.
This editorial reflects on the kitchen as an essential space for domestic care in a world where haste and urbanization threaten to empty everyday life of its meaning. In the face of predictions that by 2050 homes will no longer have kitchens, it is argued that this space is not just another room, but the heart of the home, where connections with the world are woven and where caring becomes a radical act of resistance and humanity. The kitchen holds the wisdom of our roots and the history of the women who, for generations, have cared for families while nourishing both bodies and souls. Renouncing it is a symptom of the transformation of our ways of inhabiting, forgetting that the city itself was born from working the land and that the home is a place of welcome, not only for humans but for all forms of life. By sustaining intimacy and care, the home connects us to who we are, and its hospitality must be defended against the commodification of time and the loss of community bonds. Faced with a planet increasingly turned into a city, the home must become a space of expanded care, reminding us that the earth does not belong to us, but that we live in and through it. Recovering the kitchen as a space for gathering, sharing knowledge, and everyday care is key to resisting social homogenization and contemporary emptiness, allowing us to return to the rituals and values that sustain life. In this way, the homes of tomorrow can continue to be spaces where everyday happiness is built through care
Este editorial reflete sobre a cozinha como espaço essencial de cuidado doméstico em um mundo onde a pressa e a urbanização ameaçam esvaziar de sentido a vida cotidiana. Frente à previsão de que, em 2050, as casas já não terão cozinha, defende- se que este espaço não é apenas mais um cômodo, mas o coração do lar, onde se tecem vínculos com o mundo e onde o cuidado se transforma em um ato radical de resistência e humanidade. A cozinha contém a sabedoria de nossas raízes e a história das mulheres que, por gerações, cuidaram das famílias enquanto alimentavam corpos e almas. Renunciar a ela é sintoma da transformação de nossa forma de habitar, esquecendo que a própria cidade nasceu do trabalho com a terra e que a casa é um lugar de acolhimento, não apenas do humano, mas de todas as formas de vida. A casa, ao sustentar a intimidade e o cuidado, nos conecta com quem somos, e sua hospitalidade requer ser defendida frente à mercantilização do tempo e à perda de vínculos comunitários. Diante do avanço de um planeta transformado em cidade, a casa deve converter-se em um espaço de cuidado expandido, lembrando- nos de que a terra não nos pertence, mas que vivemos nela e por ela. Recuperar a cozinha como espaço de encontro, de saberes compartilhados e de cuidado cotidiano é fundamental para resistir à homogeneização social e ao vazio contemporâneo, permitindo-nos retornar aos rituais e valores que sustentam a vida. Assim, as casas do amanhã poderão continuar sendo espaços onde a felicidade cotidiana se constrói por meio do cuidado